O crescimento da frota de veículos elétricos e híbridos no Ceará amplia a demanda por pontos de recarga e serviços automotivos especializados. No primeiro semestre deste ano, cerca de 5.500 novos modelos eletrificados foram emplacados no Estado, segundo levantamento da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). Terceiro maior mercado de veículos eletrificados em circulação no Nordeste, o Ceará já contabilizava 21.610 registros em abril, conforme dados da entidade.
Em Fortaleza, a expansão da mobilidade elétrica traz desafios relacionados à infraestrutura de recarga e à adaptação dos serviços de manutenção. A capital reúne 196 pontos de recarga mapeados, dos quais 85 são de acesso público, 19 têm uso restrito e 16 estão classificados como em manutenção. Os equipamentos estão distribuídos em shoppings, supermercados, concessionárias, postos de combustíveis e estacionamentos. Entre os locais com preços informados, o custo da recarga varia de R$ 0,49 a R$ 3,99 por quilowatt-hora (kWh).
Para o especialista automotivo Leonardo Mendonça, o crescimento da frota eletrificada exige investimentos tanto na infraestrutura urbana quanto na capacitação dos profissionais do setor. "A mobilidade elétrica já faz parte da realidade do mercado automotivo. O desafio agora é acompanhar essa transformação, ampliando os pontos de recarga e preparando as oficinas para atender às novas tecnologias", afirma.
O custo de abastecimento é um dos fatores que ajudam a explicar o interesse dos consumidores pelos veículos elétricos. Uma estimativa baseada no consumo de 15 kWh a cada 100 quilômetros aponta que a recarga residencial custa aproximadamente R$ 14, considerando a tarifa de R$ 0,94 por kWh. No mesmo percurso, um automóvel a combustão com média de 10 quilômetros por litro gastaria cerca de R$ 69,90, tomando como referência o preço de R$ 6,99 por litro da gasolina comum em Fortaleza, segundo levantamento semanal da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Apesar da economia no abastecimento, a disponibilidade de pontos de recarga ainda representa uma preocupação para parte dos motoristas. Quem mora em apartamento, por exemplo, precisa avaliar as condições da rede elétrica do condomínio antes de instalar um carregador. A análise deve ser feita por um engenheiro eletricista, que verifica a capacidade da instalação e a necessidade de adequações para suportar a demanda adicional.
Em Fortaleza, a Lei Municipal nº 11.232/2023 prevê a instalação de carregadores em condomínios, desde que sejam cumpridos os requisitos de segurança e respeitadas as normas internas. O investimento depende da infraestrutura existente. Em locais preparados, a instalação individual pode custar entre R$ 3.500 e R$ 7 mil. Quando há necessidade de reforço da carga elétrica, o valor pode ultrapassar R$ 15 mil.
"Antes de instalar um carregador em casa, é fundamental verificar se a estrutura elétrica do imóvel está preparada. A avaliação técnica evita sobrecargas e permite dimensionar corretamente os equipamentos necessários", explica Mendonça.
Outro aspecto da adaptação é o tempo de recarga. Em residências, os carregadores do tipo wallbox, instalados na parede, podem levar de quatro a 12 horas para completar a carga, dependendo do veículo e do equipamento. Já nos eletropostos de carregamento rápido, a bateria pode passar de 20% para 80% em aproximadamente 30 a 50 minutos. A duração varia conforme a potência do carregador, a capacidade da bateria e as características do automóvel.
Enquanto os veículos eletrificados ganham espaço, os automóveis a combustão continuam representando a maior parte da frota e exigem que as oficinas mecânicas acompanhem a evolução dos equipamentos de diagnóstico. Entre as tecnologias utilizadas estão scanners eletrônicos, osciloscópios automotivos, analisadores de gases, alinhadores computadorizados e aparelhos para testes de bateria e do sistema de carga.
Esses recursos permitem identificar falhas com maior precisão, analisar o funcionamento de componentes eletrônicos e avaliar as condições de combustão e emissão de poluentes. "A tecnologia trouxe mais precisão para os diagnósticos e contribui para reduzir o tempo de identificação dos problemas. Com equipamentos adequados e profissionais capacitados, as oficinas conseguem oferecer um atendimento mais ágil e seguro", diz o especialista.
Nos veículos elétricos, a manutenção também apresenta características específicas. Embora não utilizem óleo de motor, esses modelos exigem acompanhamento de componentes como bateria, sistema de arrefecimento, freios, pneus e sistemas eletrônicos. Os procedimentos de diagnóstico e reparo demandam conhecimento técnico especializado e equipamentos compatíveis com a tecnologia.
Para Mendonça, a transição entre os diferentes tipos de motorização exige atenção às necessidades de cada condutor. "O futuro da mobilidade passa pela convivência entre diferentes tecnologias. É importante que o consumidor tenha acesso à infraestrutura necessária e que o setor automotivo esteja preparado para oferecer manutenção de qualidade, segurança e eficiência", afirma.
Com a ampliação da frota eletrificada, a expansão da rede de recarga e a modernização das oficinas passam a integrar os desafios do mercado automotivo cearense. A adaptação envolve consumidores, condomínios, empresas e profissionais do setor, em um cenário no qual a tecnologia e a busca por alternativas de menor impacto ambiental ganham espaço nas decisões de mobilidade.
Informações da Assessoria - Foto/ Imagem de Destaque: Reprodução/ Banco - Magnific

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